Investigadores da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto, e da Escola de Psicologia da Universidade do Minho realizaram um estudo, sobre as diferentes perspetivas dos profissionais de saúde, em relação a pessoas com obesidade. Dentro de uma amostra de 44 profissionais de saúde (16 Médicos, 16 Nutricionistas, 12 Enfermeiros), as opiniões divergem bastante no que toca à forma de intervenção, e à perceção do processo de mudança, no entanto parece haver uma coerência nas opiniões, em cada área de atividade. Vejamos algumas opiniões:

 

“Eu, pessoalmente, sinto alguma falta dessa formação (...) Em termos, por exemplo, académicos, durante a licenciatura... Quando eu tirei o curso, era um assunto que era assim abordado um bocadinho por alto, não havia nada específico.” - Médico

 

“Eles não ouvem nada do que dizemos... É claro que há casos de sucesso... Mas é raro.” -Médico

 

“Parece que estou num ringue, numa luta constante... Tenho que negociar constantemente estratégias com aquela pessoa até ela conseguir e eu lhe mostrar que, de facto, é possível.” - Nutricionista

 

“Nós temos uma formação excelente! Em termos académicos saímos muito bem preparados... Mas ainda há muito a fazer...” - Nutricionista

 

“Nós felizmente aqui podemos contar com a ajuda preciosa da nossa nutricionista e é com ela que vamos aprendendo imenso, e tirando algumas dúvidas.» - Enfermeiro

 

“Para mim é um problema que se tem que abordar com mais, hum... Digamos, com mais... De uma forma mais visível para ter um bom resultado depois, não é?” - Enfermeiro

 

 Ora, apesar de hilariantes, estas opiniões expõem alguns problemas, nomeadamente para os médicos, em que é visível a frustração deles em relação à sua própria formação na matéria da obesidade, o que os leva a conformarem-se com a situação, porque a sua motivação está no fundo do poço. Já os enfermeiros, e principalmente os nutricionistas, parecem estar preparados para dar uma resposta efetiva a pessoas com esta doença, o que é uma boa notícia para quem procurar tratamento. 

Contudo, há algo em que todos os profissionais de saúde, incluindo os médicos, concordam, que é o facto da solução do problema da obesidade passar, quase exclusivamente, pelos próprios obesos. Ou seja, tem que partir dos obesos essa vontade em perder peso e recuperar, no fundo, essa auto-estima, essa alegria de viver perdida depois de anos e anos de mau estar, provocados não só pela alimentação, como pelo bullying feito por outras pessoas, seja na escola, seja no trabalho, seja no lazer. Na verdade, o que estamos a tentar dizer, é que se a palavra “auto-estima” contém a palavra “auto”, não pode esperar que seja outra pessoa a melhorar a sua própria estima, e se pretende deixar de ser “forte”, ou “fortezinho”, precisa de uma grande “dose”, não de batatas, mas de força de vontade e de garra.